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Lavradores e Agrotóxicos

Pesquisa conduzida na Faculdade de Ciências Médicas (UNICAMP/FCM)

aplicou uma metodologia para avaliar a exposição de trabalhadores a agrotóxicos. A idéia, segundo a autora da pesquisa, Elia Tie Kotaka, seria elaborar o primeiro manual de orientação do país. A recomendação do Ministério da Saúde, explica Elia, é que os agrotóxicos sejam aplicados somente mediante a utilização de equipamentos adequados, "o que seria o mais correto. Não existe, no entanto, nenhum padrão para avaliar a exposição dos usuários com os agentes químicos. Esse tipo de análise é extremamente cara e inviável, dependendo da situação. A avaliação só é feita em casos específicos, quando há solicitação por parte do Ministério da Saúde", explica a médica, atuante na área há mais de 30 anos.

Na tese de doutorado "Avaliação da exposição de trabalhadores a agrotóxicos: proposta de manual de orientação para a realização da dosimetria passiva pelo método do corpo total e monitoramento biológico", orientada pelo professor Flávio Zambrone, a médica comprovou que é possível realizar as avaliações com maior freqüência no Brasil. A médica defende um olhar mais atento por parte das autoridades. Elia destaca que a utilização dos equipamentos apenas minimiza os riscos de contaminação, mas não os elimina por completo.

Para validar a metodologia, denominada dosimetria passiva pelo método do corpo total, adotada pela Comunidade Européia, em 1997, Elia realizou por dois meses um trabalho de campo colhendo amostras em trabalhadores voluntários de oito fazendas no Estado de São Paulo, mais precisamente na região de Araçatuba, e em Minas Gerais, na cidade de Patos de Minas. As fazendas eram produtoras de tomate e as aplicações eram feitas com trator. Mesmo com todos os cuidados para o manuseio dos produtos, foram identificados níveis de contaminação, embora não preocupantes. "Os locais mais afetados foram mãos e braços em contato com os equipamentos", esclarece.

O método adotado pela médica permite a quantificação das substâncias químicas em contato com a pele e vias aéreas superiores. Juntamente com o método, um dia antes e no dia seguinte da aplicação do agrotóxico, eram colhidas amostras de sangue de cada trabalhador para comparação por meio do monitoramento biológico.

Imediatamente após a utilização dos produtos, os usuários eram despidos e as roupas de proteção recolhidas para também serem analisadas. "As roupas foram confeccionadas com algodão não-tratado para permitir a absorção do produto e, principalmente, para evitar eventuais alterações dos resultados das análises devido ao tratamento químico dos tecidos. Em geral, durante o trabalho normal, o adequado é a utilização de algodão tratado, impedindo o contato com a pele", explica.

Trabalhadores Expostos

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Pesquisa avalia exposição de lavradores a agrotóxicos